Guia para advogados criminalistas
A prova digital contra o seu cliente pode ser anulada, desentranhada ou fragilizada. Você já verificou?
Em 2026, quase toda denúncia se apoia em prova digital. E muita dessa prova não resiste a um exame.
O celular apreendido na abordagem. A conversa tirada do aparelho. O áudio interceptado. O vídeo da câmera. A foto usada no reconhecimento. O extrato, o PIX, o relatório financeiro. A antena que diz onde o seu cliente estava naquela hora.
Se alguma dessas coisas está no processo, o caso tem prova digital. Hoje, quase todos têm.
A prova digital chega aos autos com aparência de verdade técnica: vem com número, com data, com relatório. É sobre ela que a denúncia é construída.
Mas ela não nasce pronta. Ela é produzida. Alguém apreendeu, alguém copiou, alguém escolheu o que juntar, alguém interpretou o que juntou. Cada uma dessas etapas pode ter sido bem feita ou mal feita.
Isso dá para examinar. E o exame responde uma pergunta só: essa prova se sustenta, ou é frágil?
Toda prova digital percorre um caminho, do aparelho ou da conta até os autos. Esse caminho tem de estar contado no processo, passo a passo: quem pegou, quando, como guardou, quem mexeu.
Exemplo: o celular é apreendido numa data e examinado meses depois, e o processo não diz onde ele esteve nesse meio-tempo.
O que está nos autos é tudo o que havia, ou um pedaço escolhido? Muitas vezes o processo recebe só o resumo: os trechos da conversa que interessaram a quem investigou, a transcrição de parte do áudio. E é preciso poder demonstrar que o que foi copiado é igual ao original, sem nada a mais nem a menos.
Exemplo: dez mensagens citadas, de uma conversa de meses. O que vinha antes? O que veio depois?
Entre uma prova e uma pessoa existe uma corrente: o aparelho, o chip, o número, a conta, quem usava. A acusação precisa demonstrar cada elo, e não supor.
Exemplo: as mensagens atribuídas ao seu cliente estavam no celular de outra pessoa, e o que o liga a elas é um apelido.
A prova digital quase nunca fala sozinha. Alguém a lê e conta o que ela significa: o horário, o lugar, a gíria, quem é quem na conversa. Essa leitura também pode ser examinada.
Exemplo: a antena de celular indica uma região, não um endereço. Estar na área não é estar no local.
Uma resposta objetiva: a prova se sustenta, ou é frágil. E, se é frágil, em que ponto.
Às vezes a resposta é “se sustenta”. Saber disso cedo também vale: a defesa deixa de gastar energia onde não há o que ganhar e concentra a estratégia em outro lugar.
Quem faz o exame é o assistente técnico perito. O que fazer com a resposta é decisão sua, advogado: se, quando e como levar isso ao processo é estratégia de defesa, e a estratégia é de quem conduz o caso.
Quando o caso se apoia em prova digital e ninguém da defesa olhou para ela ainda. Quanto mais cedo, mais opções a defesa tem.
Se você não sabe responder a alguma delas, isso ainda não é nulidade. É sinal de que vale examinar.
O curso
O curso A prova não nasce pronta ensina a verificar se a prova digital da acusação se sustenta ou é frágil, com as quatro perguntas, os dez sinais de alerta e 58 conferências. Nos pacotes 2 e 3, a equipe de assistentes técnicos peritos aplica o método aos autos do seu caso e devolve a análise por escrito. Acompanha o curso em áudio, em formato de podcast, com vozes geradas por inteligência artificial.
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Filipe Codeço, advogado processualista em provas digitais. O contato é pelo WhatsApp.
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